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04-10-2002 - Noticia
Segurança 35 - Situações de perigo
Click para ampliarAs situações do género “ai jesus” são muitas mas algumas constituem o rol das tradicionais. Algumas das soluções que aqui vos expomos dizem respeito aos problemas mais comuns para quem normalmente se desloca sobre duas rodas.

Gripanço do motor – apertar a embraiagem e ir travando (se possível) para uma paragem na berma;

Gripanço da caixa de velocidades – não vale a pena usar a embraiagem, travar com a dianteira e tentar controlar a traseira;

Furo – segurar o guiador com firmeza (sem ser hirto) e conduzir com suavidade diminuindo gradualmente a velocidade. Travar unicamente com o pneu bom. Se o furado for o da frente tentar deslocar o nosso peso para trás sentando-se o mais recuado possível. Se for o de trás, travar com o da frente controlando os movimentos traseiros;

Bloqueio de rodas (frente) aliviar o travão para o accionar de novo c/ cuidado para não repetir, assim que o pneu agarrar de novo ao asfalto, (trás) usar visão olhando em frente e longe para seguir a direito, aliviar pressão no travão e voltar a travar com suavidade;

Click para ampliarDerrapagem (dianteira) endireitar a moto sem forçar a direcção (traseira) desacelerar e tentar endireitar (ambas) desacelerar e endireitar se possível (não se preocupem, o normal é ir ao chão);

Travagem de emergência – travar e apertar a embraiagem pouco antes do momento de tentar o desvio. Se for caso de embate inevitável deixar de travar imediatamente antes do choque (para a suspensão recuperar o seu curso) e soerguer-se um poucochinho nas estribeiras com braços e pernas flexionados (para absorver o impacto);

Acelerador colado – desligar a moto com o corta circuito e accionar a embraiagem enquanto trava com suavidade;

Motor subitamente morto – tem a certeza que não accionou o corta-circuito? Então accione a embraiagem e controle a perda de velocidade com travão suave;

Cabo de embraiagem partido – Esta é das piores já que a imobilização não se dará sem fortes soluços, tente ir metendo mudanças cada vez mais baixas, ajudando com o travão, muito coordenado, até à paragem absoluta.

Motor de arranque avariado – de empurrão, se fisicamente possível, a maioria das motos arranca. Com a moto em 2ª (se for muito pesada e/ou potente, em 3ª ou 4ª) e a embraiagem apertada correr ao lado dela, ambas as mãos no guiador, empurrando, saltando para cima do selim quando o balanço for suficiente após o que se solta a embraiagem (a descer é mais fácil). Muito cuidado para não a deixar cair para o outro lado. Se tiver ajuda pode começar já montado (o que é muito melhor);

Click para ampliarShimies/Wobble – oscilações da forquilha para um e outro lado estão relacionadas com a distribuição do peso, eventualmente com excesso de bagagem. Segurar guiador com firmeza, desacelerar e colocar algum peso (do corpo ou bagagem sobre o depósito) na frente.

Travão mole – se sentir a manete de travão ou o pedal com uma sensação mole e esponjosa pode saber que, ou por muito calor ou por utilização exigente, se formaram bolhas de ar no óleo dos travões que retira eficácia ao sistema hidráulico e que apenas o accionamento repetido forçará essas bolhas para fora do sistema. É conveniente deixar o sistema refrigerar e buscar ajuda competente para purgar o sistema. A utilização de cabos de malha de aço dão grande ajuda a prevenir este fenómeno.

Pastilhas de travão ineficazes – algumas pastilhas por indevidamente usadas no seu início ou com uso prolongado como que vitrificam perdendo efeito. Mudar de pastilhas é conveniente. Ele há quem as prefira assim para que funcionem como uma espécie de ABS, i.e., por mais duro que se trave não bloqueiam as rodas porque sempre trava pouco (é uma opinião de doidos, digo eu, com pastilhas sensíveis e cabos de malha de aço montados na minha “traineira”). Tanto o óleo do travão como as pastilhas são consumíveis a mudar regularmente;

Disco de travão molhado – quando as pastilhas patinam por acção de água convém “secar” o disco e as pastilhas accionando o travão repetidamente mas com suavidade. Muita força pode resultar em bloqueio por súbito funcionamento.

Click para ampliarQueda – estar vestido para ela ajuda, especialmente porque convém não rolar mas sim deslizar e, com roupa normal isto significa séria abrasão. Não usar as mãos como amortecedor nem deslizante e largar a moto. Ela é muito mais pesada que nós e se levarmos com ela em cima o resultado não é bonito. Permanecer no chão até à completa imobilização. Quem se levantar demasiado cedo (e é fácil iludirmo-nos e julgar que já estamos parados) arrisca-se a uma “palhaça” ainda pior. Se possível e não for mais perigoso ainda não se levante e espere ajuda e ambulância. Se bateu com o corpo contra alguma coisa não tire o capacete nem permita que o tirem sem ser os para médicos. O risco de lesão cerebral é demasiado grande e pode vir osso pegado ao capacete com exposição ou dano à massa encefálica. Evitar impacto com objectos sólidos (especialmente prumos de sustentação de guardas metálicas de protecção).

Jorge Macieira

Advogado, Mediador de Conflitos e motociclista

Advogado Moto-Lex Bonus Pater familias Boletim Facebook Google +

Índice
01 - Paixão e prevenção
02 - O motociclista
03 - o motociclo
04 - Atitude
05 - Concentração e percepção I
06 - Concentração e percepção II
07 - Conforto I (posição de condução)
08 - Conforto II (Frio)
09 - Conforto III (Calor)
10 - Conforto IV (Vento)
11 - Conforto V (Chuva)
12 - Visão e percepção
13 - Ver e ser visto
14 - Sinalização
15 - Visão - Perigos fixos
16 - Visão - Perigos móveis
17 - Raciocínio e prevenção
18 - Negociação (decisões, decisões...)
19 - Aceleração
20 - Travagem
21 - Travagem II (a redução)
22 - Ultrapassagem
23 - Curva
24 - 2 segundos para uma vida
25 - Condução em grupo
26 - Bagagem
27 - Velocidade
28 - Condução com pendura
29 - Acidente - que fazer ? (o próprio)
30 - Acidente - que fazer ? (os outros)
31 - Condução nocturna
32 - Condução urbana I
33 - Condução urbana II
34 - Viagem
35 - Situações de perigo
36 - Armadilhas urbanas
37 - As motos também se deitam (e levantam)
38 - O furo da minha vida
39 - Prendam essa moto
40 - As mais estúpidas idas ao tapete
 
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