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17-05-2002 - Noticia
Segurança 01 - Paixão e Prevenção
Será que existe algum prazer em andar num veículo que nos congela quando faz frio e nos expõe ao sol quando aperta o calor? E que não se equilibra nas duas únicas rodas que tem, quando parado? Mas que acaba por se aguentar em pé em movimento, por razões que parecem vir apenas de uma sucessão de acasos improváveis?

E que oferece um coeficiente absolutamente negativo de segurança passiva e de protecção contra impactos? Que não tem cinto de segurança? Que obriga o uso de capacete quando se circula, e de cabelo oleoso depois? Sobre cuja aderência ao piso quando está molhado é melhor não falar? Sobre cuja aderência ao piso quando este tem óleo é melhor nem pensar? Que está sempre crivado dos mais diversos insectos? Que tem sempre pequenos problemas? E que quando não tem é porque tem grandes? que obriga sempre a usar camadas de roupa que se tornam insuportavelmente quentes logo que se desmonta? Que, ao contrário do que se julga, não atrai as mulheres, salvo nalguns dias de Verão muito especiais? E que elas acabam sempre por queimar as pernas no escape? E que custa, ao quilo, cerca de quatro vezes mais do que um automóvel pequeno, e não dura nem metade?(...) (Alberto Castro Nunes, in Revista K, Março 1992)

Click para ampliarSe você já anda de moto nem se torna necessário ler mais além para saber a resposta. Se (ainda) não anda fique a saber que sim ... SIM ... SIM !!! O gosto, melhor, a paixão que se sente a partir dos primeiros contactos (se não antes mesmo) é tal que nos leva a extremos de paroxismo. Senão como explicar o sacrifício da comodidade, da segurança, da integridade física, das viagens com a família (que ele há mulheres, maridos, filhos que não gostam de andar de mota porque se sentem inseguros... coitados). A opção de andar de mota pode advir de capricho momentâneo (moda, desejo de parecer in, desejo de parecer out), de tradição familiar, de considerações práticas acerca da mobilidade e facilidade de parqueamento em cidade, de preocupações ecológicas baseadas no menor desgaste e menor poluição do meio ambiente, mas todas acabam no mesmo – num(a) motociclista. Que é diferente de andar de mota. Andar de mota ... é andar de mota. Anda-se e pronto. Mas ser motociclista é um estado de espírito, é uma postura, uma forma de estar na vida. E se se andar de mota tempo suficiente para sobreviver ao período em-que-se-anda-de-mota, tornamo-nos, com poucas excepções, em motociclistas.

Click para ampliarO motociclista vive e respira o asfalto, a adrenalina, a sua montada, a emoção, o vento, a liberdade e gosta de tudo isso. E porque gosta e quer repetir vezes sem conta, até que a morte os separe (uma morte santa, calma e serena, no leito, durante o sono, aos 99 anos, após um último passeio de moto num lindo dia de primavera). Para o repetir dessa forma sabe que terá de durar, em condições físicas e psíquicas até essa altura. E por tal, defende-se ao conduzir, sabendo que o perigo espreita em cada curva, em cada recta, em cada entroncamento, em cada ultrapassagem. Condução defensiva não é andar devagar ou de forma amedrontada, sendo antes e essencialmente antecipação, previsão e prevenção. E porque sabe que apesar de todas as cautelas alguma coisa pode suceder a qualquer um de nós, preocupa-se com os seus companheiros de andaduras em duas rodas e assiste-os no infortúnio, tal como espera ser assistido quando for a sua vez (lagarto, lagarto, lagarto ...). E porque a palavra chave é a prevenção e porque quando tiramos a carta e compramos a moto sabemos muito pouco sobre andar de moto (aqui é o travão, aqui o acelerador, assim se faz um oito e chega) toda a partilha de informação e know-how é importante, pelo que aqui ficam as linhas de um que não é especialista de nada, nunca foi corredor de motos, não leu todos os livros sobre o assunto, não fez nenhuma pós-graduação sobre o tema, mas que anda de moto quer faça chuva quer faça sol, 365 dias por ano, no trabalho e no lazer e que um dia foi mordido pelo bicho das motos e se apaixonou.

Jorge Macieira

Advogado, Mediador de Conflitos e motociclista

Advogado Moto-Lex Bonus Pater familias Boletim Facebook Google +

Índice
01 - Paixão e prevenção
02 - O motociclista
03 - o motociclo
04 - Atitude
05 - Concentração e percepção I
06 - Concentração e percepção II
07 - Conforto I (posição de condução)
08 - Conforto II (Frio)
09 - Conforto III (Calor)
10 - Conforto IV (Vento)
11 - Conforto V (Chuva)
12 - Visão e percepção
13 - Ver e ser visto
14 - Sinalização
15 - Visão - Perigos fixos
16 - Visão - Perigos móveis
17 - Raciocínio e prevenção
18 - Negociação (decisões, decisões...)
19 - Aceleração
20 - Travagem
21 - Travagem II (a redução)
22 - Ultrapassagem
23 - Curva
24 - 2 segundos para uma vida
25 - Condução em grupo
26 - Bagagem
27 - Velocidade
28 - Condução com pendura
29 - Acidente - que fazer ? (o próprio)
30 - Acidente - que fazer ? (os outros)
31 - Condução nocturna
32 - Condução urbana I
33 - Condução urbana II
34 - Viagem
35 - Situações de perigo
36 - Armadilhas urbanas
37 - As motos também se deitam (e levantam)
38 - O furo da minha vida
39 - Prendam essa moto
40 - As mais estúpidas idas ao tapete
 
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